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Os desafios da maternidade real: MAIS TEMPO, POR FAVOR!

Não bastasse toda a trajetória de uma recém-mãe dentro do hospital, a vida das mães de prematuros se torna mais intensa e tensa, diria assim. Além de toda a rotina imposta por uma situação inesperada, ainda somos massacradas com a precocidade do término da licença maternidade.

É dolorido demais, pois a maioria das mães de prematuros não tem a licença maternidade estendida, nem a liberação das empresas e instituições onde trabalham que viabilize essa correção do tempo desde o nascimento.

Mais tempo é tudo o que precisamos para vermos o lado mais terno da maternidade, curtir os momentos que antes eram tomados por preocupações, exames, consultas e uma agenda exaustiva de compromissos nos primeiros meses pós-alta hospitalar.

Só entende quem viveu, quem sentiu na pele a dor de olhar o seu filho através de uma caixa de acrílico, que abraçou primeiro a incubadora e não o corpinho do seu bebê, só entende quem viveu, quem vibrou não pelo primeiro olhar, mas quem ajoelhou e agradeceu a cada aparelho removido, a cada progresso no tratamento. Só entende quem viveu e viu uma mãe de prematuro corredor afora do hospital, esperando as horas passarem, o momento de fazer o primeiro pele a pele com seu filho, só entende quem tem coração.

A grande maioria de todas nós, mães de UTI somos invisíveis na sociedade, somos esquecidas e não vistas por quem sequer conhece nossa história e nosso rosto, os juízes que por sua vez estão num tribunal online onde o que mostra a nossa história são relatos dos advogados que tentam incansavelmente abrir uma brecha na lei ou num projeto de lei para tentar nos amparar, o que deveria ser direito constitucional.

É triste demais, não termos tempo. Qual a importância do tempo para quem não viveu o que vivemos? Qual o valor desse tempo? Incalculável eu digo. É um tempo que não se recupera, que não volta e que precisamos escolher entre ser e estar, Ser Mãe e Estar presente, e viver tudo o que nos foi impedido pela brevidade do nascimento precoce dos nossos filhos.

O que mais dói? A individualidade com que somos tratadas por uma justiça incrédula, individualista e seletiva, o que deveria ser por direito de equidade, igualdade e acima de tudo, humanista, por que afinal, estamos falando de uma relação humana que foi arbitrariamente interrompida pela própria natureza.

Mais tempo, por favor, por mim, pela minha filha, por todas nós, mães de prematuros, bebês prematuros, relações prematuras que precisam construir sua história com laços nessa brevidade chamada tempo.